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Como escolher a melhor alternativa para o desenvolvimento de software de seu negócio?

Por: Fabrício Ramos

 

Terceirizar ou internalizar o desenvolvimento de software: evitando riscos jurídicos e negociais

 

Novos negócios, principalmente aqueles relacionados à tecnologia, lidam constantemente com softwares. Assim como o próprio Lexio, empresas de tecnologia, necessitam do software para promover soluções técnicas para seus clientes. No nosso caso, oferecemos o software como um serviço (SaaS), ou como preferimos definir, software como uma solução.

Nesse sentido, toda empresa que lida com desenvolvimento de softwares passa por uma importante questão: é melhor desenvolvê-lo internamente ou externamente? A resposta nem sempre é simples e depende das características de cada negócio.

 

Desenvolvimento Interno de Software

Uma das alternativas para o desenvolvimento de software é internalizar o/a desenvolvedor/a na companhia. Trazer a pessoa para dentro do negócio, entretanto, depende das condições econômicas, financeiras e até societárias da empresa. Afinal, esse colaborador terá que ser remunerado ou até receber participação societária. Nesse sentido, contratar alguém com dedicação exclusiva para essa função faz sentido quando a tecnologia é o core business do negócio.

Mesmo assim, não é possível dizer que existe uma regra para empresas no que tange à internalização ou não do desenvolvimento. Entretanto, é possível apresentar as vantagens e desvantagens que cada modelo possui.

 

Quais as vantagens do desenvolvimento interno de software?

Internalizar o desenvolvimento deve ser uma decisão estratégica da companhia, baseada em uma avaliação sobre os pontos positivos de ter essa pessoa intimamente ligada ao dia-a-dia da empresa.

A maior vantagem da internalização do desenvolvedor do software é garantir o engajamento desse colaborador. Trazer quem cria a solução tecnológica para dentro da companhia facilita o alinhamento de interesses, pois essa pessoa enxergará o sucesso da companhia como seu próprio sucesso. Esse sentimento de pertencimento gera incentivos para uma atuação diligente e motivada. Além disso, a integração proporciona ao desenvolvedor uma visão mais clara dos objetivos da empresa e as razões por trás da demanda pelo desenvolvimento. Isso é crucial para a criação de um produto que responda às demandas da startup.

Somada ao alinhamento dos interesses do desenvolvedor com os da companhia, internalizar o desenvolvimento permite o exercício de maior controle. Ora, ter um funcionário, presente no cotidiano da companhia, respondendo aos chefes e aos outros funcionários diretamente evita que comandos se percam ou sejam mal entendidos. Há, dessa forma, um ganho de eficiência.

Em termos de eficiência quanto ao aprendizado, internalizar é positivo. O desenvolvedor está habituado com o código, linguagem e framework do software. Logo, não haverá um dispêndio de tempo grande para o aprendizado.

Por fim, há uma importante questão monetária que advém da internalização do desenvolvedor na companhia. Trazer essa pessoa para dentro do negócio, principalmente como sócio, evita o pagamento de remunerações altas. Para startups, que não tem bolsos fundos, oferecer participação societária para o desenvolvedor pode ser mais interessante do que pagar salário ou remuneração pela prestação do serviço.

 

Quais as desvantagens do desenvolvimento interno de software?

A decisão de internalizar, entretanto, nem sempre é positiva para todos os negócios. Tudo depende da lógica empresarial, do modelo de negócio, dos outros integrantes da companhia e até dos objetivos com a entrada do desenvolvedor no time da empresa.

Um dos principais problemas do desenvolvimento interno relaciona-se à dificuldade de medir a qualidade do trabalho do criador. Normalmente, empreendedores e empresários não possuem o know-how sobre tecnologia e programação. Não é uma atividade cuja avaliação depende  apenas de bom senso. Ao contrário, é preciso ter uma métrica diferenciada de avaliação.

Dessa forma, leigos têm dificuldade em acompanhar os resultados parciais do desenvolvedor, o que pode prejudicar a criação de um software que responda às demandas exatas da companhia. A solução para esse problema pode vir com a presença de um CTO (Chief Technology Officer) que controle o grupo dos programadores

Programadores normalmente possuem hábitos diferentes, se comparados com empreendedores ou empresários tradicionais. Trabalho no período noturno, dress code casual, hábito de deixar tudo para última hora e home office são características comuns. Dependendo do modelo de negócio, é difícil para que os programadores e os demais membros da equipe consigam conciliar essas diferenças, o que pode gerar atritos. Esse desgaste pode corroer a relação e prejudicar o andamento da companhia.

 

Ademais, outro ponto que deve ser lembrado é a quantidade de riscos e encargos trabalhistas que decorrem da internalização do desenvolvimento. Dependendo da relação estabelecida entre a empresa e os desenvolvedores, sempre há o risco de a Justiça do Trabalho considerar o vínculo como uma relação trabalhista. Isso pode ocorrer ainda que, no papel, o time de programação tenha sido contratado através de uma PJ própria.

 

Desenvolvimento Externo de Software

A alternativa ao desenvolvimento interno está na contratação de um agente externo independente que preste o serviço, normalmente as chamadas software houses. Normalmente, esse tipo de contratação é utilizada nos casos em que a tecnologia não é o core business da empresa. É, portanto, uma opção para demandas pontuais específicas ou para oferecer suporte externo para empresas que pouco utilizam tecnologia diariamente.

 

Quais vantagens do desenvolvimento externo de software?

A primeira vantagem de contratar um desenvolvedor externo é a expertise e know-how que o mesmo possui. Por ser esse ser o business da software house, ela sempre traz novidades do mercado e novas ideias, além de insights importantes para o design do produto. Há, claramente, uma distância de conhecimento e capacidade operacional das softwares houses em comparação com freelancers ou desenvolvedores internos. Essa mão de obra qualificada é um grande atrativo desse modelo.

Ademais, apesar de aparentar ser mais cara, a opção pelo desenvolvimento externo pode ser economicamente mais vantajosa a longo prazo. Em casos de projetos que demandam alta especificidade e técnica, vale mais a pena gastar uma quantia alta e ter um produto de qualidade do que investir o tempo e recursos internos para capacitar um desenvolvedor que já trabalha na companhia.

Por fim, os desenvolvedores externos estabelecem relação profissional de prestação do serviço com a empresa contratante. Há, portanto, a clareza de que um pólo da relação é o cliente e o outro é o prestador de serviço. Algumas empresas preferem essa formalidade e a definição de que o desenvolvedor é de fato um prestador de serviço remunerado, e não um membro da companhia, que estaria menos sujeito à lógica de resultados.

 

Quais as desvantagens do desenvolvimento externo de software?

Entretanto, softwares houses apresentam pontos negativos, como todo modelo de contratação. Como já mencionado, é recomendável que haja internalização em negócios que giram em torno de softwares. Logo, não parece ser eficiente terceirizar a responsabilidade por criação de plataformas e programas que são imprescindíveis para o negócio.

Ademais, a software house, até por ser uma prestadora de serviços, tem menos interesse no resultado da empresa e, consequentemente, do software. Há um desalinhamento de interesses e dificuldade para deixar claro quais são os objetivos da companhia no desenvolvimento do software, até porque eles podem mudar durante a vigência da relação.

Não ter a empresa desenvolvedora no mesmo barco é um risco para o desenvolvimento do software, criando riscos e custos que talvez sejam insuportáveis.

Uma maneira criativa de mitigar esse problema, além de exigir garantias ou prever a rescisão contratual, é ser criativo na forma de remuneração. Oferecer participação societária como remuneração pelo fornecimento do software é uma maneira inovadora de alinhar os interesses da software house, futura sócia, com os da cliente. Isso deve ser feito com muito cuidado, pois nem sempre a desenvolvedora pode ter participação societária ou interesse em se ver integrada a outro negócio. Outra solução possível é evitar a remuneração por hora, à medida que essa é contraproducente: o cliente quer gastar menos e acaba conversando menos com a prestadora, enquanto a desenvolvedora não tem incentivos para tornar as reuniões mais eficientes. Nesse sentido, uma remuneração pelo trabalho pode ser interessante, já que as partes vão aproveitar o tempo juntas para alinhar os interesses e não terão preocupações com quanto tempo é necessário para que os rumos da prestação de serviço estejam claros.

Há um esforço grande que os negócios e startups devem ter ao optar pela software house, que é gastar recursos (dinheiro e tempo) para equilibrar a curva de aprendizado. Caso a software house seja contratada para uma demanda pontual ou para dar continuidade a um projeto já iniciado, a empresa precisará ensinar a linguagem que usa e as ferramentas até então utilizadas. Como, às vezes, o software cresce de maneira caoticamente ordenada, não é tão simples ensinar os que estão de fora do processo.

Somado a isso, há a dificuldade de avaliar o trabalho da software house, principalmente se as empresas não possuem alguém interno com essa capacidade. É possível que a empresa não consiga distinguir a qualidade da entrega do software, o que culminaria na contratação de empresas que não produzem os resultados esperados. Por isso, ainda que externalizando o serviço, é interessante que haja alguém interno capaz de avaliar minimamente a entrega.

Por fim, é possível que o trabalho da software house apresente problemas que necessitem correções. Caso o contrato não forneça soluções, como garantias ou responsabilidades pós contratuais, a companhia pode se ver de mãos atadas e com um produto inutilizável, sem que possa exigir as devidas reparações.

 

Conclusão

A criação de modelos é importante para gerar categorias que possam facilitar nosso entendimento da realidade. Entretanto, isso não pode ser vista como uma verdade absoluta e imutável. O mesmo se aplica aos modelos de desenvolvimento de software.

Seja o desenvolvimento feito por agente integrado à companhia ou por uma software house, é crucial que o modelo optado reflita as demandas de cada negócio. Recursos financeiros, tempo, tamanho e know-how da equipe, urgência para o desenvolvimento e importância do software no negócio são alguns dos requisitos que devem ser avaliados na escolha por um dos modelos.

No fim do dia, os riscos jurídicos e contratuais são apenas orientadores para a melhor decisão negocial dos empresários.

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